sábado, 1 de junho de 2013

Mergulho

Me levou ao horizonte
teu sopro no pé do ouvido
tempestade dissonante

Labirinto gelado e pulsante
sem juízo, esquivo da razão
seja a paz insana idade

Da pele ao concreto
M´boi Mirim, em mim
Concerto em Si maior

Do chão pisado
Proletário
Minha riqueza: dignidade

Ver a cidade meu inverso
em peruibe ou no panamá
Piraporar

Rabiscar onde só eu leia
Cirandar só
Girar, criança, girar

Caminhar
unir versos
transar, trançar, falar

Ouvir o que me digo
Lento
leve, devagar

Passo-a-passo
Dia-a-dia
vivo devagar

recordações me levam
e num instante
me canta a memória

Divagando
um sorriso me abraça
me entrego a ti, mar.

quinta-feira, 14 de março de 2013

Maria-mole e colchão de maderite

Quando o caos pede silencio, a alma pede respeito. Dizem as bocas perfeitas que seus ouvidos querem a verdade sincera, mas a vida mostra e afirma : - a verdade sincera é e sempre será  anarquista, a alma chutando as formalidades da razão com seu coturno de outras andanças. O amor, é a alforria do coração
mas, como sempre tem um "mas", os ouvidos são reacionários. [ o ser anarquista as vezes parece (mas nunca nega) negar o amor]. Nessa sociedade de classes, classificam e julgam até o sentimento alheio. E luta de classes, ou classificadas somente é relevante quando a pratica é modo de vida, sobrevivencia e não teoria. Ideologia vagabunda é o amor vira-latas, tomba lixo pra escancarar a sujeira e com amor ajudar a limpar, é se doar pra ver os agregados do bando bem, chega de lobos e raça pura. Na rua, na lua, na indefinição brasileira de gens, mora todo o afeto, todo o companheirismo, toda a lealdade. Sabedoria vira-latas, é sorrir pra aproxegar, caminhar por onde for, sempre ao lado, rosnar só pra proteger as crias, e morrer se for o caso pra não oferta-las a luta, como quem se defendo pelo brilho dos outros olhares. Sabedoria vira-latas é ser fera por reconhecer o medo, ser bixo pra tirar força do coração e enfrentar quando necessário, é ser forte por saber que a maior fraqueza é querer ser forte o tempo todo.

quinta-feira, 26 de abril de 2012

Primeiro


Vem trançar meus traços
nos retalhos do teu sorriso
vem descompassar meu compasso
como astro, brilhe

Vem trilhar teus caminhos
por mim
vem criança
vem ciranda, vem cirandar

Me mostra
o perfume que ainda não vi
a imagem que ainda não toquei
meu espelho,
me revele

Como tua mãe se liberte
me alforrie
me afague
me afogue em tua existencia

Mate esse saudade que é não te conhecer

Do ventre que amo
venha
como fogo,
como chaga de existir

Me encontre criança
me realize pessoa
simples mente à ti
simples mente ator

Me faça ponte de tuas travessias,
travessuras
pro horizonte dos seus sonhos
serei chão

Viva livre meu filho
como nunca fui, como nunca fomos
venha ser mãe, pai, filho e norte
da criança que ainda sou...


Grito

É que minha vida
em soma
nunca foi um livro de páginas viradas

Minha vida em suma
é uma linha de letras cursivas

Escrita num espiral vertiginoso
não se finda em pontos finais,

Escrita por mim e lida por todos
não se preocupa em dizer

É que minha vida
em silêncio, grita
muda  meu tormento,,,

segunda-feira, 26 de março de 2012

Completo
na tranformação que me cabe
Completo
num ciclo que além mente me remeto
Tranformar o ser
pra ver no dia a dia o que sonhei viver...

Pra além disso
toda e qualquer palavra se cala
quando só
... desejo estar ao lado, calado
num suspiro que o vento carrega
e nos diz, que não há solidão
quando se é o que o coração quer ser...

sábado, 18 de fevereiro de 2012

do teu carnaval
só me vale o que ficou longe das passarelas
não te quero carne
se não haver alma
não te quero razão se não ouver coração
nesse teu enredo
só sambarei se for a dois...

sexta-feira, 13 de janeiro de 2012

Dessa pira
já vi
o téio, o amor, o rancor
ou ate mesmo a lua que em tua fumaça cintila

Nessa pira
já vi fogo brando e incendio
ja vi preto, branco, caiçara
gringo de ginga fraca

Já fui tantos eus
ja ouvi tantos nós
mas nada desata
essa farda esse fado

ja vi poetas
poetizas
metaleiros
bailarinas

e ainda estou aqui

atrizes
maestros
mestres
enredos
sambas
lisos crespos

Já vi nessa pira
Gil Gomes
Chicos Pinheiros
fome
solidão sofrimento

Perdas
Ganhos
Erros
Acertos

Ja vi cores
Ja vi tormentos
Ja vi amores
Ja vi revi vivi

Ja vi letras sem ascentos
como estas sem apego
a gramatica
a dramatica

Ja vi piras em sorrisos
ja vi fogo queimando sofrimentos
Tudo aqui
no começo da M'Boi MIRIM
perto do chacara
Do Fiqueira
Parque Santo antonio
Jd. Alfredo
Jd. das Flores

Ja vi piras
ja vi pirados
ja fui pirata
ja fui otario
mas sempre aqui

Na pira
entre punks
entre skatistas
entre metalugicos
diaristas
solidão em SOL caminha

e feito lenha
a alma minha
mesmo errada
mesmo sol cinza

Não nega um grito
não nega um ódio ode de
Piraporinha...