terça-feira, 10 de junho de 2014

alado...

embora me falte o bigode
com meus idolos compartilho
o fel de toda poesia que não pude escrever
o amor que como faca me fatia
e uma parte de mim mendiga, raciona, racional
e outra doa, ferve, zomba se apaixona
na rua meus sonhos ainda lacrimejam
enquanto no vento uma velha canção me veste
antigo é meu pranto por liberdade
esculpido na carne me navego e busco alternativas
algo que me tire do conceito cidadão comum
entre vias, entrevistas ao léu
e no meu silencio existo céu
sol sou de um peito que já trovejou muito
e só
nada além de uma fresta na existência do tempo
de sangue e alma e de lama e de calma
não quero não essa tal glória
nem essa tal  meta
tampouco essa tal realização
me interessa o desconhecido
aquilo que não da certo
o que me prova estar vivo
sou rio a toa, e fluindo esses nós me navegam
era a velha que sabia?
era o jovem que mentia?
o velho que criava?
era eu todas as interrogações
nada sabemos e a duvida votaremos?
mas o amor me abriu fronteiras
as pernas, o ziper
abriu também um vão em meu coração
em vão meu peito quis deter
mas como eu o amor flui
do meu peito se vai
pois já não me pertence
tanto quanto pertenço à suas asas
livres e incendiárias

terça-feira, 1 de abril de 2014

Todo ação de luta
toda manifestação de fé
deve ser como poesia:
- Um quadro pincelado,
entregue aos olhos vidrados
de quem não enxergava bem.

segunda-feira, 9 de dezembro de 2013

polêmica...

falo da falta sim
- senhores
a falta anda matando
tirando da boca banguela
botando no rabo de todo mundo
a falta de pão
a falta de vida
a falta de sonho
fudeu mais um milhão...
nossas terras
nossos rios
nossos índios
nossos risos
a falta de vergonha
a falta de honestidade
a falta de bondade
a falta de gentileza
arregaçou mais uma bunda
não adianta aclamar uma nação que ainda dorme
boa noite cinderela
a falta de amor
matou mais um menino
feriu mais uma senhora
matou aquela mulher
parida
na calçada
o que vive após isso?
marxismo, anarquismo, outro ismo
é o caralho
a falta de humanidade causa uma dor
um frio
um medo
que não se teoriza
não se retrata, não encena, não se ensina
falta a verdade
nem deus
nem o diabo
nem a morte
falta vida nos olhos
falta a pátria
falta a maloca
falta a quizumba
falta o quilombo
falta dinheiro
e o preço
não posso pagar
me falta uns tostões, uns trocos
e no final
a puta sou eu...

sexta-feira, 13 de setembro de 2013

um bom lugar...

hoje trovejou um algo que o tempo fez vapor
frente aos olhos
a lembrança dos cantos,
cantigas de chuvisco
vem da rosa esse balé de letras
enxovalha a alma da gente
com delicadeza e sabedoria
o jogo que os homens criaram vira ciranda
na ponta da língua o acido da saliva que recria
tempestade
recita toró
trovão é o grito febril e a alma exala: Liberdade
relampiado meu pranto vem 
nada a mais dos tantos outros alem de mim
é raio, é foda
na quebrada ainda lembro das gudis
das pipas, dos parças, marolas
e longe no morro se vai
a poesia
bom jesus, pirapora proteja
saravá meu panelafro
esse mangue ainda vive
longe do sertão, há esses domingos
de afonsos, bentos, celsos
na bera do córrego, deságuo favela
em seus caminhos à M Boi
sta edwirges e figueiras grandes
cai cai num jardim das flores
onde tudo se refaz,
onde todos fazem morar
nem que seja um cadim
baguio loko essa quebrada
tantos que vivem em vão
tantos que se foram
tantos que riram com zés, vitors, correias, vals
vejo aqui onde estou agora
com os olhos fechados
o cheiro dessa gente toda
guerreira,
maloqueira
quando penso em seus caminhos
resgato minha pisada
e então oceano saudade
nesse samba da cultura
meu coração pulsa
então imaginando casa
me inclino e concluo:
!Oooo lugarzim

sábado, 17 de agosto de 2013

Preta

O Preta
me mostra os caminhos do agora
com a sabedoria de quem só vive uma vez
me de a coragem que preciso pra seguir
esse jeito de bater de frente
malandragem dos nossos antepassados
Herculanos
firmeza no rebolado, que na vida
nem sempre o samba é alegre
Preta criadora
nos vacilos e nas vacinas
sempre um novo jeito de sacudir a poeira
dar a volta por cima
criou os filhos como quem rompe as amarras
neguinha ligeira
escancara o cativeiro das angustias da gente
Esperança
preta
Dona Lourdes
dou graças por pertencer a ti
mas me ensina preta
a ser forte como teu grito
a ser vívido como o cheiro dos teus cabelos
a ser verdade como o tom da sua pele
mostra pra esse vagabundo
no silencio do seu olhar
toda a verdade que o tempo escondeu
esquenta na frigideira um tanto de mexido
bota um arroz, prepara um café
separa uma colher a mais
e ensina pra tua neta
que dignidade preta
é importante como o ar
que cabeça erguida 
olho no olho e pulso firme
pra nóis é seguro de vida
coisa de história talvez
Preta
ensina pros filhos
que liberdade
é mais do que um acordo civil
que migalha não enche barriga
nem alimenta o coração de ninguém.


quarta-feira, 14 de agosto de 2013

Fluido...

Daqui onde céu e mar se encontram
observo o que restou de nós
na garganta o grito que ainda não se cala
no peito aquele vazio que a tarde visita
saudade
No ar, o cheiro de tudo que é novo
os caminhos, os domingos, os sorrisos
no chão os mesmos pés orientando a pisada
bucolismo maloqueiro...
Aqui, onde me encontro agora
faço tempo pro dia não virar hora
no suor o mesmo sangue
na saliva a mesma fome
E o morro me olha,
e me vejo morro
no vento que em mim passeia
noticias de outrora
daqui onde tempestade me recria
deságuo corredeira
lagrima fria pro mar que não se finda em mim...
 

sábado, 3 de agosto de 2013

Senhoras e senhores
cuidado!
a vida é tão séria
quanto o sorriso de uma criança