terça-feira, 4 de março de 2008

Despertar...


Diante a iminência de um sonho outrora inalcançável
deturpam-se o chão e a realidade habitual
Cosmopolitas perdidos na imensidão mundana
vivendo toda ilusão pertencente ao ser racional

Ledo engano acreditar que o sonho seja apenas para sonhar
e que a realidade tenha esse ar inaceitável
Realidade: Sonho de um passado que foi alcançado
Sonho: Realidade de um futuro a ser almejado

Vos exclamo tais indagações
motivado pelo discernimento de ambas situações
Sejamos o Passado viril à acalentar novas alegrias
novas rimas, novas cifras e melodias à este sonho...
Este sonho chamado Brasil!

domingo, 2 de março de 2008

Samba Mundo!


Samba mundo...
Samba mulata, loira, cafuzo
Samba repique, pandeiro e bumbo!
Samba...

Samba Mundo...
Por um dia, uma noite, um minuto
Samba só, samba parceiro, samba conjunto
Samba a roda, samba a proza, samba viola
Samba garoto, menina e senhora
Samba...

Samba Mundo...
Samba católico, protestante, samba ateu e vagabundo
Samba no pé, no peito samba o swingue e samba enredo
o Samba é nosso, é vosso e é meu...
Samba, que também é teu!
Samba...

Samba Mundo...
Remelexe, discompassa e simula
Samba a boca, samba os olhos
Samba a pele, samba o pulso, samba a bunda!
Samba...

Samba Mundo...
Samba a alegria, samba a tristeza, samba a melodia
Samba meu pai, minha mãe, samba meu tio e minha tia
Samba eu e você, e me alegre com vida!

quinta-feira, 28 de fevereiro de 2008

Santa Seita

Velhos amigos, novos irmãos
momentos alucinantes
realidade ou ficção?

Conversas da meia noite
entendidas por quem?
Por quem tenha vivido?
Quem tenha amado ou assistido?

Estar completo, comigo, contigo, conosco?
Coloço, colombo, esboço!
Esboço de uma vida única
Compreendida por por poucos
vivida por loucos
dividida por muitos

Muitos pensares, desejos e vontades
Mas que se unem quando o assunto se ressume...
Se ressume em AMIZADE!

Túnel do Tempo

Hoje me encontrei com o passado
vi em seu olhar um novo presente e outro futuro
Meu passado que já não me pertence!
Criou vida e opnião, sentido e emoção

Me torturou com seu pensar
por uma fresta em seu sorriso,
o ouvi murmurar certas palavras
pra mim, poucas eram entoadas
me deixou sem rumo, sem sumo

Me perdi no meu presente
contraditório? Surreal! Marginal...
Reneguei por alguns segundos
até que entendi, num surto, num vulto
Ele apenas era parte do meu presente
por onde construi meu futuro
sem rota, sem frota sem prumo!

ZooCity

Eu vi o Cão
no topo de uma escada
ele estava sentado
observava, mas não rosnava

O Cão estava quieto
com as mãos estendidas
pedindo carinho, pedindo afeto
com os pés descalços e olhar amarelo

Passou por ele o Porco
com o peito estufado e um terno discreto
olhou-o de cima pra baixo
como se fosse ele um insceto

O Cão abanou-lhe o rabo e latiu
o Porco sorriu e com um tom mais que viril
olhando de lado apenas cuspiu
Sou forte! Sou rico! Sou limpo!
Não me toque, não me olhe, não me irrite!

Com o olhar fixo e coluna ereta
disse-lhe o Cão com o ar de profeta:
Sim, tenho mau cheiro e trajo roupas velhas
Não preciso de água de cheiro, colônia ou esmero

Sou puro por ser quem sou
Te adimiro e posso até te amar
Não se assuste! Não pretendo te roubar
Mas se quiseres ao meu lado, pode-se sentar!

domingo, 23 de dezembro de 2007

Ótica do meu eu

Toda vez que me sento
e me atento ao que penso
me elevo à um contexto
sem forma ou pretexto

Vejo meu ser tornar-se lápis e papel
uma abelha tornando-se favo de mel
criador ou criatura?
ora escritor, ora escritura

me embriago com minhas idéias
fazendo do papel a mais bela janela
criando molduras para meu quadro viceral
me desprendendo da ética, estética e moral

ouço a sinfonia noturna
festivamente moribunda
sinto cada pulsar em meu peito
como uma pequena nota de um grande concerto

fecho os olhos e me vejo
acomodado, relachado, alienado
me observo, me renego, não entendo
sou eu o meu próprio desfecho?

quarta-feira, 28 de novembro de 2007

Manifesto da morte

Para falarmos sobre a morte é preciso compreendermos a vida. A vida pode ser definida em três estágios: o nascimento, o envelhecimento, e a morte. Porém se analisada de um outro modo, podemos dizer que a vida se resume apenas à morte. O primeiro minuto que vivemos de certa maneira, é o mesmo que inicia a contagem regressiva para o nosso fim. O homem é constituido de vários sentimentos, e talvez, o que mais lhe motiva é o medo. O medo de morrer faz com que as pessoas suguem todo o nectar da vida, trasnformando-se em seres quase que irracionais que não controlam seus desejos, e tão pouco seus impulsos.
Tudo o que fazem de errado, todo o sofrimento que causam, pode ser justificado pelo clichê : "pelo menos eu estou vivendo" ou "eu quero viver a vida antes que a morte chegue". Todos estão enganados, a morte já chegou! Ela nos acompanha passo-à-passo, espreitando-se em nossos desejos e ilusões. Acompanha-nos esperando a melhor hora para atacar, espera ter certeza da forma que vai assumir para nos convidar para a última dança.
Contudo é fato que o medo causado pela sua existencia nos perturbe diáriamente, todos à esperam inesperavelmente. Porém creio que não devemos temer tal certeza, encorajemo-nos e façamos com que sua fama deixe de ser tão maléfica quanto parece, dancemos com ela como quem dança com o mais perfeito par. Já estamos acostumados à sua presença, apenas não à olhamos nos olhos. Não escrevo como quem faz apologia ao suicídio, e sim apologia ao viver! Pode parecer loucura à primeira vista, mas já que a morte é certa para todos, façamos com ela o que fazemos de melhor, que é vive-la. Convido todos à mudar a velha frase: "vou viver minha vida" para "vou viver minha vida e minha morte".