quinta-feira, 29 de outubro de 2009

É Terno!

Foi num abraço estreito
que seu suspiro me ensinou

Aquele amor profundo
que como rosa desabrochou

Tornou morada o peito
e feito rocha se eternizou...

terça-feira, 29 de setembro de 2009

A menina dos acasos...

Veio de longe
do alto do morro
desceu pro meu quintal
maracatuzando sua meninice
trançou olhares
bordou o infinito em tua retina
no seu universo me fez presa

Linda e de voz serena
soprou belezas em meus ouvidos
foram transes, foram hipnoses
delírios e devaneios
goteirou felicidade onde só havia pranto
eternizou cada momento
cavou e semeou reticências

Dama da noite
preencheu-me com teu aroma
suas mãos de pétalas me guiavam
na cadência de suspiros e prosas
me trouxe o ar pra mergulhar
me trouxe paz
e partiu...

segunda-feira, 7 de setembro de 2009

Monólogo

Não bastasse a ingenuidade do saber,
seguem risos soprados com medo
rios de calafrios no instante em que o dia se faz, se acaba
segue a dislexia lendo a vida em notas frias, notas mortas
resta assim o medo da morte, escondendo-se na intensidade do viver, do não deixar pra amanhã...
Resta assim a incompreensão do lar, o descaso social, a vida sempre às margens...
Mas noite após noite o dia morre, levando com ele uma falsa sensação de vida.
Amanhecerá novamente, novos sonhos acordarão, novos medos, novas falhas no existir
O mundo continuará girando sua roda da fortuna, seu alavancar de caça-níquel
e eu... eu continuarei a monologar minhas meias verdades diante dessa mentira inteira, semearei sonhos mesmo que essas sementes só existam em mim.

terça-feira, 18 de agosto de 2009

Amor proibido

são aqueles versos guardados na garganta
a fome ante o prato vazio
a sinceridade da ilusão
o calafrio no estômago e o calor nos lábios
a loucura apaixonante
é afogar-se em cada suspiro
é saudade do que nunca existiu
é o desejo da carne
é imaginar como seria...
Amor proibido
é sorvete em banho-maria
é namorar a solidão
mergulhar em destilados
deitar em nuvens quando se vê o sorriso amado
é sentir a eternidade em cada minuto de silêncio
é ter vontade de arrancar o coração do peito à unhadas
é desejo de gritar, abraçar, chorar...
Amor proibido
é a dor gostosa de deixar doer
mas que quase mata
quando a razão nos proíbe de viver,
à dois...

sábado, 25 de julho de 2009

Um caldo servido à dois.

Quando o peito em chamas clama pela voz
palavras viram brasa, salpicadas de saliva
Dizer em versos, talvez o excesso
Aquecer os ouvidos
Desenhar com carvão o céu de cada boca
mar de estrelas borbulhando pensamentos, desejos
Então a língua quer ser caneta
pra passear no papel que é tua pele
pura e delicada
versejando prosa e possibilidade
na poesia do seu corpo e alma
Assim é ela, caneta, língua, bailarina
sonhando em deslizar no ardor de seus suspiros
cheios de dengo, de dendê
Me inspira o sabor do teu perfume
e na tua fumaça, delicio fantasias
que evaporam em meu olhar
lubrificando as janelas do meu mundo
Seu sorriso é fogo, incêndio, fogarél
fervendo meu coração, esse caldeirão de sentimentos
que parece estar sempre vazio
pois falta seu tempero, meu recheio de você
que almejo aconchegar na concha do meu abraço
e assim terminar essa receita rimada
pra matar minha fome de ter
com esse caldo de nós dois.

domingo, 5 de julho de 2009

Noturna

Lá vem a Negra
cirandando sobre o dia
com seu manto a cobrir o sol

Lá vem a Negra
cantalorando em silêncio
sua essência lunar

Lá vem a Negra
estrelada e abençoada
jovem milenar

Lá vem a Negra
Mãe de todos os sonhos
sapiente e sublime

Cuida-nos Negra,
enquanto dormimos
sob tua segurança

Que teu gingado,
jamais revele o segredo
de sua existência

Cegue quem não te respeitar
atormente quem ousar
destruir sua plenitude

Ah... Negra!
que tua beleza ostente-se
pelo o infinito

Que teus filhos
aprendam a se benzer
com tua chegada

Que teus lençóis Negra,
sejam sempre respeitados
e dignos de louvor

Que todo ser
saiba que te deve a vida
e à honre por isso

Negra,
jamais deixe que qualquer homem
te ofusque com um brilho artificial

E saiba
que quando nascer o sol
seus filhos ainda sonharão com você

Pois sua força Negra
move o ontem, o hoje
e eternamente o amanhã.

domingo, 14 de junho de 2009

Das mortes que vivi...

Não resta muito
além do pesadelo que o sonho antecedeu.
Todos os planos mudados,
os desencontros calados.
Sozinho,
como o último homem da terra
que namora a lua tentando dormir
e acorda vendo-se como sol
queimando em fúria e solidão.

Vidas passadas em apenas uma
um enterro a cada mudança
o que fui, o que precisei ser
o que queria, e o que jamais consegui.
Ainda aterrorizado pelo escurecer dos sorrisos
que brilhavam a cada dia em minha mente.
Lembrança dos que amei
perdendo-se nos velorios que os ofertei,
sem saber que cavava minha própria sepultura.

Onde está aquela vida que planejávamos?
Aquele adulto que tanto quis ser um dia?
Onde está o futuro 2000?
Pra onde foi o adulto sonhador e o velho brincalhão?
Cada frase pensada enquanto o feijão borbulhava na lenha?
Onde estão?
As respostas para as dúvidas! Quais eram mesmo?
O mundo sem fronteiras?

Me diz, cadê o pai que você ousou sonhar em ser?
O amigo pra vida toda?
O fã de Raul, Metallica, Gessinger?
Lembro da sua baixa estatura e bochechas gordas...
Mas não as vejo mais,
depois que as enterrei junto com quem fui
Mortas, como você, em seu estado de coma...
Calado, confuso, calmamente perdido...

Onde está meu velho,
aquele garoto?
Nascente de vida simples e empolgante
que fluía feito rio para os mares que são os outros corações?
Aquele eu que me completava,
e dizia que ainda havia muito pra se viver?
Mas que agora,
não passa de um fantasma que vejo
toda vez que te olho no espelho...