domingo, 27 de abril de 2008

Há muito...

Há muito desisti de insistir
de resistir ao que tende a vir
de engolir o choro pra poder sorrir

Há muito regorgito minha vã-filosofia
depois vomito nas paredes do meu quarto
que quase sempre são caladas e frias

Há muito não temo mais a lucidez
tão pouco inflamo minha maluquez
já não temo mais a morte
também não conto com a sorte

Há muito que quero sentir
toda a dor, todo calor, todo o sabor
quero caminhar descalço, sentir o asfalto
aposentar as chuteiras, não mais marcar

Há muito, com crase, sem H
com acento, minúsculo ou maiúsculo
Há muito me perdi quando
derepente, de te procurar desisti!

Sempre e hoje!

Hoje vou andar descalço
sentir as folhas secas sucumbirem
aos meus firmes passos
Vou pular corda sobre a linha do equador
imaginar figuaras nas nuvens do céu redentor

Vou rodar pião em meio as marginais
pular amarelinha sem querer chegar ao céu

Vou contar estrelas
ouvir contos de terror
jogar futebol na rua
andar de rolemã

Vou empinar pipa
jogar bolinha de gude
comer jujuba
tomar banho de chuva

Vou fazer tudo o que quero
sem medo ou vergonha
vou dançar ciranda
só pra relembrar a alegria
de que um dia já foi criança!

Veja margarida...

Bem me quer, mau me quer...
Bem, mau...Quem quizer?

Veja margarida quantas voltas da essa vida
como podes, deixar seu habitat
e vim para as minhas mãos
ouvir pessoais agonias?

Como podes aceitar que eu, mero humano
te ampute com meu futil pranto?

Maragarida, flor da tristeza
ou seria da alegria?
Porque permites que te use
em minha destada sangria?

Saibas que meus ansceios
não se resumem apenas em
quer-me bem ou mau

Saibas ó branco e amarelo
num formato intenso
que meu único desejo

É que me deixes com a dúvida
daquela alguém que ainda
não sei se me queria

e salte da minha mão
pra juntar tua beleza
com a vida de outra bela senhorita!

de filho pra pai

Existem pessoas que ao partirem
deixam gravadas em nossas retinas
imagens de uma vida tão breve quanto um suspiro
Partem sem avisar, sem pensar
não nos permitem uma despedida ensenar

De todos esses aventureiros
que partem pra uma próxima cruzada
sempre há um em especial
aquele que retem o abraço fundamental

Não tive muitas oportunidades de te falar
nunca o conheci completamente
não pude com conciência lhe amar

De uma hora pra outra acordei
e não havia mais o fusca amarelo
as idas ao sitio, os passeios de barco
não havia mais as costa de onde
brotavam inúmeros cravos

Corri o quintal procurando
vestígios da sua oficina,
do seu modo de vida
da figura paterna que eu conhecia

Durante os anos seguintes
procurava algo que lembrasse você
segui seus passos até onde pude
em busca da sua essência, transfigurei meu ser

Mas nada, não havia mais sua mão
a me erguer quando eu caia!

Hoje folheio livros que sua mente
já tivéra absorvido
imagino se é com a mesma destreza e emoção
Guardo a imagem de um sorriso amarelo
escondido em meio à fios avermelhados
O canto do olhar, já envelhecido
pelos sofridos dias vividos

E é com essa dor que peço lincença
pra não te ter mais como guia
regitro nessas fiéis linhas
lavadas com lágrimas realmente sofridas
meu desejo de não ser sua imagem cuspida no espelho
pois tal pai, como tal filho
sabem bem como escolher seu caminho

E se hoje, entre brumas
puder ler este texto
saiba que deixei de ser herdeiro
pra construir meu próprio reino.


para Antônio José Pereira, onde estiver...

segunda-feira, 21 de abril de 2008

O Jardim da mais-valia

No subsolo caótico foi colocada a semente de uma árvore,a árvore da Pseudo-vida. Suas raízes de alimentam do chorume gerado por nossas ações! Tal planta nos oferece o fruto da alienação, que intorpece e indifere realidade e ficção.Aconchegar-se em sua pútrida sombra se tornou um ato tão humanizado, que esquecemos da fotossíntese mantenedora de nossos corpos, outrora vivos e agora sedentários. Por entre seus galhos percorrem insetos, que de veras, aceitam serem celados e guiados do que simplismente olhar ao lado.
Sim, respiramos somente o perfume exalado por suas folhas cinzas e bebemos da seiva que escorre pelas cavidades anais de seu tronco e depois de digitalizarmos toda as informações de um dia a menos de vida tentamos relaxar, olhar a lua, as estrelas
porém só tentamos...Sua polpa esconde tudo aquilo que é superior á ela, então viramos de lado esperando que um singelo, mas saudoso jardineiro, pode tal Erva-daninha pra que assim nossos póros sintam toda a magia do real e maravilhoso Dia!

ser livre...

...é poder se prender aquilo que deseja.

Libitum Vitae

Um Verme repousa seu frígido tato
sobre a epiderme conturbada da vida
com seu ácido paladar ousa necrosar
o seio de tal amada

Esquece-se porém
que antes de seu vão contato
tal senhora tivéra gerado outros filhos
tão imponentes quanto esse vil ser

E como num fato grego
iniciam uma sangrenta batalha
ambos carregados de ideais
não se contentam em dividir
o carinho e a atenção da Eva atemporal

É a ópera do bem e o mau
da ilusão e o real
É o elo do ser e do ter
querendo tornar-se parede

É o épico cenário libertário
onde o livre tenta celar um chucro cavalo
esquecendo-se que tanto ele quanto o belo alazão
têm vontades e desejos próprios

É a plebe lutando contra o reinado
um conto sem heróis ou condenados
É o vivo que não deseja
por ser que seja, ser postumizado!